Em entrevista ao programa Jogo do Poder (CNT), o ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis afirmou que conversou com o senador Flávio Bolsonaro antes de fechar aliança com Eduardo Paes (PSD) e recusou integrar a montagem da candidatura do PL ao governo do Rio, classificando-a como "aventura". Reis indicou a irmã Jane como candidata a vice na chapa de Paes e disse que, apesar da aliança estadual, apoiará a candidatura de Flávio à Presidência.
A recusa: "não vou embarcar em aventura"
Washington Reis relatou que, após desistir de ser candidato, recebeu um contato de Flávio Bolsonaro que lhe pediu para "esperar um pouco". Segundo Reis, ele respondeu que já estava decidido e que não iria aguardar "o candidato que vocês vão programar para o governo do estado". "Meu ativo político não está para embarcar em aventura. (…) Não estou para fazer testes, sou jogador de seleção", afirmou o ex-prefeito na entrevista.
Por que fechou com Eduardo Paes
Reis explicou que a aliança com Eduardo Paes foi firmada em uma reunião no dia 12, logo depois de o Supremo Tribunal Federal adiar a análise de um recurso seu que tentava reverter uma condenação por crime ambiental. Sem a definição do julgamento, Reis entendeu que poderia continuar inelegível neste ano e decidiu não concorrer a cargo algum. Na mesma noite da decisão, Paes ligou e pediu que Reis "vem ser governador junto comigo, indica quem você quiser para a chapa". Reis disse ter indicado a irmã, Jane, em seguida.
A indicação de Jane Reis para vice
Jane Reis foi apontada por Washington como sua escolha para vice na chapa de Paes. Ela tem "pouca bagagem em candidaturas" — concorreu à prefeitura de Magé em 2020 e não se elegeu —, mas é descrita pela família como responsável por todas as prestações de contas dos irmãos em campanhas desde os anos 1990. Reis enumerou atributos pessoais para justificar a indicação: "mulher valorosa", "advogada", "grande mãe" e "mulher de pastor".
O alinhamento contraditório: apoio a Flávio e lugar comum com Paes
Embora a aliança seja com Paes, Reis afirmou que assegurou a Flávio Bolsonaro apoio à sua candidatura à Presidência. Ao mesmo tempo, reconheceu que a costura com Paes no plano estadual não implica alinhamento em outras frentes: "Paes me falou 'vem ser governador junto comigo, indica quem você quiser para a chapa'"; "Paes, seu candidato ao governo, vai fazer campanha para o presidente Lula (PT)", diz a reportagem. Reis declarou que, para outras disputas, a conversa com Paes foi limitada à chapa ao governo.
Quem o ex-prefeito diz que apoiará na corrida ao Senado e no governo-tampão
Na entrevista, Reis declarou que pedirá votos para o atual governador Cláudio Castro (PL) na corrida ao Senado. Caso Castro se candidate ao Senado, isso obrigaria a Assembleia Legislativa (Alerj) a eleger um governador-tampão com mandato até o fim do ano; nesse cenário, Reis disse apoiar o chefe da Casa Civil, Nicola Miccione (PL), que é o preferido de Castro para o posto.
A divisão do PL e o contexto da montagem das candidaturas
Reis fez referência ao que chamou de montagem da candidatura bolsonarista ao governo estadual: o PL está dividido entre lançar o secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas (PL), ou o chefe da Polícia Civil, Felipe Curi (sem partido). O texto relata que Ruas se elegeu em 2022 pela primeira vez, como deputado estadual, enquanto Curi nunca ocupou cargo eletivo. A crítica de Reis — de não embarcar em "testes" ou "aventuras" — foi dirigida a essa indefinição interna do PL sobre quem seria o nome ao Palácio Guanabara.
Reis amarró a aliança estadual com Paes em meio a riscos processuais e optou por preservar seu capital político, indicando a irmã como vice e mantendo um posicionamento eleitoral fragmentado: apoio a Paes no governo do estado, apoio declarado a Flávio Bolsonaro para a Presidência e voto em Cláudio Castro para o Senado, além do respaldo a Nicola Miccione para um eventual governo-tampão.
