Vivo (VIVT3) sobe 3% após balanço do 4º tri; analistas destacam receita, margem e recompra de ações

As Ações da Telefônica Brasil (VIVT3), controladora da Vivo, avançaram 3,27% nesta segunda-feira (23), a R$ 42,03, depois que a companhia divulgou resultados do quarto trimestre considerados sólidos por bancos de investimento. Relatórios citam crescimento de receita de serviços, expansão de margem e um programa de recompra de até R$ 1 bilhão como pontos que chamaram a atenção do mercado.

Resultados operacionais e números que superaram estimativas

O balanço do 4º trimestre mostrou recuperação do crescimento da receita de vendas de serviços (MSR), que voltou a subir 7,0% em relação ao ano anterior — nível no limite superior do consenso, segundo o Bradesco BBI. O EBITDA cresceu 8,1% na comparação anual e ficou acima da previsão do BBI em 2,3%. Os analistas do Bradesco BBI apontaram que receita, EBITDA e lucro líquido vieram acima tanto de suas estimativas quanto das do consenso, evidenciando um momento operacional robusto.

Margens e itens que explicam a melhora da Rentabilidade

A margem EBITDA da Vivo alcançou 42,9% no trimestre, alta de 40 pontos-base ante o 4º trimestre do ano anterior, segundo o relatório do BTG Pactual. O Itaú BBA também destacou expansão de margem de 40 pontos-base e detalhou fatores que contribuíram para a melhoria: diluição das despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) nas áreas comercial e de redes; R$ 102 milhões provenientes da venda de ativos (abaixo da sua estimativa de R$ 116 milhões); e um efeito não recorrente de R$ 129 milhões ligado à reavaliação contábil da aquisição da FiBrasil.

Recompra de ações de R$ 1 bilhão e implicações para acionistas

A Vivo anunciou um novo programa de recompra de ações de até R$ 1 bilhão, equivalente a aproximadamente 0,8% da Capitalização de Mercado atual, a ser executado até 2027. Analistas apontam o programa como elemento positivo para suporte ao preço das ações e sinal de governança de capital, em particular num momento em que o mercado observa a capacidade da companhia de converter resultado operacional em fluxo de caixa e em distribuição aos acionistas.

Como os bancos traduziram os resultados em recomendações

O Bradesco BBI classificou os números como positivos e manteve recomendação outperform (equivalente a compra), com preço-alvo de R$ 38. O BTG Pactual avaliou o desempenho como consistente com suas expectativas — o EBITDA de R$ 6,7 bilhões ficou amplamente em linha com o banco — manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 40,70, e projeta distribuição de R$ 8,7 bilhões em 2026, o que resultaria em Dividend Yield de 6,6%.

O Itaú BBA descreveu os resultados como sólidos e em grande parte alinhados com suas estimativas, mas ressaltou que o forte desempenho das ações no ano (+24% no acumulado) sugere que parte das altas já estaria precificada. O banco observou os elementos não recorrentes e a menor receita com venda de ativos em relação à estimativa e manteve classificação neutra com preço-alvo de R$ 35,50.

Valuation, fluxo de caixa e próximos gatilhos

Relatórios reunidos pelos bancos indicam que o mercado agora passará a olhar com atenção para a geração de fluxo de caixa da Vivo e para o potencial de aumento na distribuição total aos acionistas. O BTG aponta que, sob um cenário competitivo saudável — com receita líquida expandindo em linha com a inflação, margem EBITDA em elevação e capex estável enquanto o próximo ciclo de investimentos não se inicia — a combinação pode sustentar crescimento contínuo do fluxo de caixa operacional. Ao mesmo tempo, os bancos alertam que, após a forte alta das ações no ano, o valuation avançou e os yields se comprimiram, reduzindo espaço para surpresas positivas no preço do papel sem sinais claros de maior distribuição.

O balanço do 4º trimestre entregou números acima do consenso e renovou atenção do mercado para margem, geração de caixa e política de capital da Vivo — temas que explicaram a alta imediata de 3,27% no preço das ações. A leitura dos analistas diverge em ênfase: alguns destacam potencial de distribuição e recompra, outros ponderam que parte dos ganhos já está precificada, deixando a próxima agenda do investidor centrada em fluxo de caixa e em como a companhia irá traduzir resultados em retornos aos acionistas.

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