A Polícia Federal prendeu na manhã desta quinta-feira, em Cabo Frio, Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como integrante da cúpula do jogo do bicho e como o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados do Rio de Janeiro. A captura é um desdobramento direto da Operação Libertatis II, que investiga uma organização criminosa transnacional ligada à produção, distribuição e lavagem de recursos do comércio ilegal de cigarros.
Como a investigação começou
As apurações que deram origem à Operação Libertatis tiveram início em fevereiro de 2023, após a descoberta de três fábricas clandestinas de cigarros falsificados. Nas unidades inspecionadas pela Polícia Federal foram identificados trabalhadores paraguaios submetidos a condições análogas à escravidão, o que ampliou o escopo da investigação para crimes como tráfico internacional de pessoas e redução à condição análoga à de escravo. A partir dessas evidências, os investigadores passaram a mapear uma estrutura maior, com atuação além das fronteiras estaduais.
A organização criminosa identificada pela PF
Segundo a Polícia Federal, a rede atuava de forma estruturada, com divisão clara de funções: núcleos responsáveis pela produção dos cigarros; setores que forneciam insumos; exploração de mão de obra estrangeira; e um braço logístico encarregado do transporte da mercadoria. A investigação apontou ainda a existência de células de segurança — que incluíam participação de agentes públicos — destinadas a proteger a operação e facilitar o deslocamento dos produtos ilegais. Entre esses agentes foram citados policiais militares, bombeiros, um policial federal e um policial rodoviário federal. Os lucros obtidos com o comércio clandestino eram lavados e enviados de forma irregular ao exterior, caracterizando crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A deflagração e medidas da Operação Libertatis II
A fase ostensiva da operação foi deflagrada em março de 2025. Na ocasião, a Polícia Federal cumpriu 21 mandados de prisão preventiva, 26 mandados de busca e apreensão e 12 medidas cautelares diversas da prisão, incluindo a suspensão das funções de um policial rodoviário federal. A Justiça autorizou ainda o bloqueio, sequestro e apreensão de bens avaliados em cerca de R$ 350 milhões. Entre os ativos apreendidos estão imóveis, veículos de luxo, criptomoedas, dinheiro em espécie e valores depositados em contas bancárias; em uma das residências investigadas, em Duque de Caxias, foram encontrados R$ 48 mil em espécie. As Ações ocorreram em diversos pontos do Rio de Janeiro e em outros estados, como Espírito Santo, evidenciando o alcance interestadual da organização.
O papel atribuído a Adilsinho
A Polícia Federal aponta Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, como integrante da cúpula do jogo do bicho no Rio e como o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados do estado. Ele estava foragido desde a deflagração da Operação Libertatis II, com mandado de prisão expedido pela Justiça Federal, e também é procurado pela Justiça Estadual por suspeita de envolvimento como mandante de homicídios. A prisão desta quinta-feira foi realizada em Cabo Frio com apoio do Serviço Aeropolicial.
Prisão e encaminhamento
Após ser detido, Adilsinho foi levado à Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro e, em seguida, encaminhado ao sistema prisional. A ação integra a atuação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, força-tarefa que reúne a Polícia Federal e a Polícia Civil do Rio para enfrentar organizações criminosas no estado. O desfecho reforça as medidas já tomadas na fase ostensiva da operação e mantém aberto o trabalho de investigação sobre a rede logística e financeira que sustentava o comércio ilegal.
Crimes pelos quais os alvos podem responder
Os investigados na Operação Libertatis II podem responder por um conjunto amplo de crimes, conforme listado pela Polícia Federal: organização criminosa; redução à condição análoga à de escravo; tráfico de pessoas; crimes contra a saúde pública; fraude no comércio; sonegação fiscal; crimes contra a relação de consumo; falsificação e uso de documento falso; violação de direito autoral; lavagem de dinheiro; e evasão de divisas. A presença de trabalhadores em situação análoga à escravidão e a identificação de remessas ilegais ao exterior ampliaram a complexidade das apurações.
A captura de Adilsinho em Cabo Frio marca uma etapa relevante da Operação Libertatis II, cujo foco se estende da produção clandestina e exploração de mão de obra à estrutura financeira e ao envolvimento de agentes públicos. As investigações e medidas cautelares determinadas pela Justiça seguem em curso, enquanto os autos apontam para um esquema com alcance interestadual e internacional.
