Lula critica uso do comércio como arma e defende diálogo em fórum na Coreia do Sul

Nesta segunda-feira (23), durante participação em um fórum empresarial na Coreia do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a tentativa de tratar o comércio internacional como uma arma e defendeu negociações baseadas em diálogo como resposta. O discurso ocorreu em meio a medidas tarifárias anunciadas recentemente pelos Estados Unidos.

Crítica direta ao uso do comércio como pressão

Sem citar nominalmente o presidente dos Estados Unidos, Lula afirmou que a melhor resposta à tentativa de usar o comércio como arma é buscar entendimentos por meio do diálogo e da negociação. Em sua fala, o presidente disse que “a melhor resposta à tentativa de usar o comércio como arma é mostrar que é possível alcançar entendimentos mutuamente benéficos com o diálogo e a negociação.” A declaração foi feita no contexto de mudanças recentes na política tarifária dos EUA: na semana anterior, a Casa Branca anunciou nova tarifa global de 15% sobre produtos estrangeiros, após a Suprema Corte americana derrubar as “tarifas recíprocas” impostas pelo mesmo governo desde o início do seu novo mandato. O uso do termo “comércio como arma” sintetiza a crítica de Lula à instrumentalização de medidas comerciais para fins políticos ou econômicos unilaterais.

Por que puxar o exemplo Brasil–Coreia?

Lula utilizou a relação bilateral com a Coreia do Sul como contraponto ao protecionismo. No fórum, afirmou que a relação entre o Brasil e a República da Coreia, “dois países ligados por fortes laços humanos e vínculos empresariais, é a prova de que a confiança e a cooperação valem a pena.” Ao colocar o relacionamento comercial como exemplo, o presidente buscou mostrar que é possível construir acordos vantajosos por meio de confiança mútua e cooperação, sem recorrer a medidas coercitivas. O argumento foi apresentado como um modelo prático de como se contrapor ao uso do comércio para pressionar ou punir parceiros.

Diversificação como remédio contra o protecionismo

No discurso, Lula também defendeu a diversificação de parceiros comerciais como mecanismo de resiliência diante do retorno do protecionismo. Segundo ele, “a resiliência de um país, especialmente em tempos de turbulência global e do retorno ao protecionismo, depende da diversificação da sua base econômica e das suas relações comerciais.” A mensagem coloca ênfase em reduzir dependências e ampliar mercados como defesa contra oscilações de políticas econômicas externas, sem, no entanto, detalhar medidas específicas a serem adotadas pelo governo brasileiro.

Negócios concretos: carne bovina e acordos assinados

A visita de Lula à Coreia tem um objetivo comercial prático: avançar em acordo para venda de carnes e outros produtos ao país asiático. O presidente lembrou que o Brasil “vem trabalhando há 15 anos para obter acesso ao mercado de carne bovina coreano”, ressaltando a longevidade da negociação. Ele afirmou que o avanço sanitário em pauta permitirá que “os maiores frigoríficos do mundo, que são brasileiros, possam se instalar na Coreia.” Na mesma viagem, Lula citou acordos firmados, entre eles um acordo de cooperação comercial e um acordo voltado ao fortalecimento de cadeias de suprimentos. O presidente avaliou que a corrente de comércio entre Brasil e Coreia está aquém do potencial, e apresentou os entendimentos recentes como passos para incrementar esse fluxo.

O efeito imediato para empresas e cadeias de suprimento

Do ponto de vista prático, o discurso e os acordos citados pelo presidente apontam para dois efeitos imediatos: facilitação das condições sanitárias para exportação de carne bovina e criação de vínculos formais para reforçar cadeias de suprimentos entre os dois países. Lula destacou que o avanço nesses pontos pode abrir espaço para a instalação de frigoríficos brasileiros na Coreia, o que, na visão do governo, seria um movimento para ampliar a presença industrial e comercial do Brasil no mercado asiático. Não foram apresentados, na declaração divulgada, cronogramas, nomes de empresas envolvidas ou cláusulas dos acordos assinados.

Discursiva alinhada ao comércio multilateral

A posição defendida por Lula no fórum sul-coreano se alinha a uma narrativa favorável ao comércio baseado em regras e negociações, em contraponto ao uso de tarifas e outras ferramentas unilaterais como instrumentos de política externa. Ao citar tanto a necessidade de diálogo quanto a diversificação de parceiros, o presidente articulou uma mensagem que combina defesa do multilateralismo prático com busca por abertura de mercados específicos — no caso, o coreano — para produtos brasileiros.

Na Coreia do Sul, Lula articulou uma resposta política e comercial ao que chamou de uso do comércio como arma: reiterou confiança no diálogo, promoveu acordos de cooperação e buscou avançar a abertura do mercado de carne bovina, resultado de 15 anos de negociações. O desdobramento imediato será a implementação do avanço sanitário e os efeitos práticos dos acordos de cooperação e de fortalecimento de cadeias de suprimentos citados pelo presidente.

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