JBSS32, BEEF3 e MBRF3: BTG aponta China, ciclo do frango e estoques como determinantes do 4T25 dos frigoríficos

O BTG Pactual divulgou prévias para o quarto trimestre de 2025 de JBS, Minerva e M. Dias Branco/BRF (MBRF), projetando impacto heterogêneo entre empresas por fatores como retomada das importações chinesas, ciclo do frango e efeitos pontuais de estoque. As estimativas apontam para margens mais fracas em grande parte do setor, mas com exceções operacionais que podem mitigar o efeito sobre resultados consolidados.

JBS (JBSS32): receita estável, margem em queda e Seara como alavanca

O BTG projeta para a JBS receita de R$ 123 bilhões no 4T25, alta de 5% em relação ao mesmo período do ano anterior e praticamente estável frente ao trimestre anterior. O Ebitda estimado é de R$ 8,6 bilhões, 20% menor que no 4T24 e recuo de 14% ante o 3T25, o que implicaria margem Ebitda de 7,0% (-230 pontos base contra o 4T24 e -110 pontos base frente ao 3T25). Por segmento, o banco espera desempenho sequencial mais fraco em praticamente todas as unidades, com exceção da Seara. A divisão de alimentos processados deve se beneficiar da retomada das exportações de frango para a China e para a União Europeia, enquanto a Pilgrim’s Pride nos EUA deve apresentar queda de margem significativa. No segmento de beef nos Estados Unidos, a Rentabilidade tende a permanecer pressionada, com margens levemente inferiores na comparação trimestral. O BTG ressalta que a diversificação geográfica e de produtos da JBS — Seara e Beef Brasil mais fortes — pode ajudar a compensar o momento adverso no beef norte-americano e a queda de margem na Pilgrim’s.

MBRF (BRF/Outras marcas): margem em contração, BRF continua estável

Para o grupo MBRF, os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla projetam Ebitda de R$ 3,4 bilhões no 4T25, queda de 9% em um ano e recuo de 3% frente ao trimestre anterior, com margem estimada em 8%. O BTG tem recomendação neutra para a ação e preço-alvo de R$ 26. A expectativa é de redução de margens em todos os segmentos tanto na comparação anual quanto trimestral, embora a sazonalidade típica da BRF de fim de ano deva sustentar o resultado sequencialmente. A BRF, em particular, deve manter resultados fortes: volumes domésticos e de exportação seguem em tendência positiva, 7% maiores em relação ao 4T24. Ainda assim, enquanto os preços domésticos devem subir, os preços médios no mercado internacional tendem a cair em linha com a indústria, pressionando a margem média do grupo. O BTG observa também que a participação relativa das exportações para China e União Europeia é maior na Seara do que na BRF, o que ajuda a explicar dinâmicas distintas entre as empresas do portfólio.

Marfrig e Minerva: diferenciais regionais e efeito de estoques

Na visão do BTG, a Marfrig (parte do conjunto coberto pelos analistas no estudo) deve registrar enfraquecimento de rentabilidade na América do Norte, com margem Ebitda estimada em 1,2% e Ebitda de R$ 230 milhões. Na América do Sul, a projeção é de Ebitda de R$ 670 milhões e margem de 10,5%, queda de 60 pontos base sequencial. Já a Minerva (BEEF3) entra no radar com um trimestre considerado “bom” pelo banco: receita líquida projetada em R$ 14 bilhões para o 4T25 (levando a receita de 2025 a R$ 54,7 bilhões) e Ebitda estimado em R$ 1,29 bilhão, margem de 9,2%. O BTG mantém recomendação neutra para Minerva com preço-alvo de R$ 8,50. Importante ressalva do banco: a Minerva monetizou R$ 1,6 bilhão em estoques no 3T25 — um evento atípico — que deu impulso pontual aos resultados do trimestre. Ajustando por esse efeito e assumindo a mesma margem desses estoques, o 3T25 teria receita aproximada de R$ 13,8 bilhões e Ebitda de cerca de R$ 1,23 bilhão, o que tornaria o 4T25 efetivamente sequencialmente superior. O BTG lembra que o mercado esperava melhora sequencial mesmo considerando a monetização, fato que pode ter influenciado o desempenho recente da ação.

Dinâmica de preços e margens por produto

O relatório do BTG destaca diferenças por proteína e região. No frango, os sinais de reversão do ciclo são mais visíveis, especialmente com a retomada das importações chinesas, que favorece margens da Seara. No beef, a pressão persiste nos EUA — onde a virada do ciclo do gado pode ficar fora do alcance no curto prazo — e no Brasil os spreads de exportação se estreitam devido a preços de gado mais altos e preços médios de exportação inferiores no trimestre. Para suínos e operações na Austrália, o banco projeta margens amplamente estáveis. Essas variações regionais e por espécie explicam por que conglomerados integrados, como a JBS, conseguem em parte neutralizar choques locais por meio de desempenho compensatório entre unidades.

Calendário e leitura do mercado

Minerva e MBRF têm apresentação de resultados marcada para 18 de março; a JBS reporta na semana seguinte, em 25 de março. O BTG sinaliza que o mercado vai olhar com atenção para três pontos ao receber os balanços: (1) confirmação do efeito positivo da retomada das exportações chinesas para frango; (2) leitura sobre a sustentabilidade das margens da Seara e da BRF ante queda de preços internacionais; e (3) efeitos de itens não recorrentes, especialmente a monetização de estoques reportada pela Minerva, que altera comparáveis sequenciais e a percepção de melhora operacional.

O 4T25 desenha um trimestre de contrastes: espera-se compressão de margens em boa parte do setor, mas com alívios pontuais vindos da Seara e de resultados regionais que podem suavizar a leitura geral. Investidores e analistas terão como marcos imediatos as divulgações de 18 e 25 de março, quando será possível confrontar as projeções do BTG com os números oficiais e eventuais ajustes por efeitos não recorrentes.

Rolar para cima