GPA (PCAR3) mostra melhora operacional, mas vencimentos de R$ 1,7 bi em 2026 elevam risco de continuidade; ação recua

O Grupo Pão de Açúcar (GPA — PCAR3) reportou prejuízo de R$ 572 milhões no 4º trimestre de 2025, ante R$ 1,1 bilhão negativo um ano antes, mas informou passivos e indicadores de Liquidez que colocam questão sobre sua continuidade operacional. As ações chegaram a recuar 1,28%, a R$ 3,09, no início do pregão, num pregão marcado por cautela dos analistas.

Resultados operacionais: sinais de recuperação, receita estável

No conjunto do 4T25, o GPA reduziu significativamente o prejuízo em relação ao 4T24, e, no acumulado de 2025, a perda caiu 65,8%. A receita líquida do trimestre ficou estável ano a ano, influenciada pela decisão de descontinuar a operação "Aliados", embora o varejo alimentar tenha apresentado crescimento próximo a 2% e vendas mesmas lojas (SSS) em torno de 3%. O EBITDA ajustado avançou 2% na comparação anual, margem ajustada subiu 40 pontos-base para 10% e a margem bruta aumentou 50 pontos-base, resultado da melhora na execução e da compressão de custos. Despesas gerais e administrativas em caixa recuaram 2% na base anual.

Onde a melhora não alcança o resultado final

Apesar do avanço do EBITDA, o resultado financeiro elevado continuou pressionando o lucro líquido. A alavancagem operacional segue material: a relação dívida líquida ajustada/EBITDA ficou em 4,9 vezes. Analistas destacam que, sem redução consistente de juros ou desalavancagem, ganhos operacionais podem não se traduzir em geração de caixa líquida suficiente para cobrir compromissos financeiros.

Liquidez e vencimentos concentram o risco

O balanço traz dois sinais que chamaram atenção do mercado: um capital de giro líquido negativo de aproximadamente R$ 1,2 bilhão e R$ 1,7 bilhão em dívidas com vencimento ao longo de 2026. Além disso, o índice de liquidez corrente reportado está abaixo de 1. Esses números motivaram alertas sobre um “risco de continuidade operacional” levantado por parte do mercado, já que a empresa segue apresentando prejuízos líquidos mesmo com melhoria operacional.

O que dizem os analistas

O JPMorgan avaliou os resultados como operacionalmente fracos, embora em linha com suas estimativas, e destacou que as iniciativas de eficiência devem sustentar melhorias em 2026; o banco manteve classificação underweight. O Itaú BBA elencou a resiliência do posicionamento multimarca do GPA, que teria permitido desempenho relativo melhor frente a concorrentes, e manteve recomendação neutra com preço-alvo de R$ 4. A XP considerou os números tímidos: reconheceu expansão de margens por eficiência, mas ressaltou que a dinâmica do fluxo de caixa livre foi consumida por despesas financeiras, e chamou atenção para o risco de continuidade operacional. A Genial vê sinais de turnaround — redução do prejuízo e estabilidade de margem —, mas apontou a desalavancagem como principal ponto de atenção nos próximos trimestres.

Medidas anunciadas pela administração

Na teleconferência de resultados, o presidente Alexandre Santoro afirmou que a companhia revisa todas as despesas com foco em redução de gastos e que o fechamento de lojas é a "última opção". Santoro reconheceu que o grupo não pode permanecer anos sem gerar caixa e informou que o GPA está em negociação com credores, além de trabalhar na gestão de passivos e na monetização de créditos tributários como parte das Ações para melhorar liquidez.

Reação de mercado e próximos marcos

Os papéis do GPA oscilaram ao longo do dia: a queda máxima registrada foi de 1,28%, com posterior redução das perdas. Para investidores, a evolução das negociações de dívida e a execução das iniciativas de redução de alavancagem serão os vetores decisivos nos próximos trimestres. O JPMorgan estima continuidade nas melhorias operacionais em 2026, mas mantém postura conservadora até que haja progresso claro na estrutura de capital.

Embora o desempenho operacional mostre sinais de melhora — com EBITDA e margens em avanço —, o vencimento de R$ 1,7 bilhão em 2026, o capital de giro negativo de cerca de R$ 1,2 bilhão e a liquidez corrente abaixo de 1 mantêm uma incerteza relevante sobre a capacidade do GPA de sustentar a operação sem reestruturação do passivo. A companhia diz estar negociando com credores e adotando medidas de monetização de ativos; os próximos meses devem revelar se essas ações serão suficientes para reduzir a alavancagem.

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