Investir hoje permite escolher entre plataformas focadas no mercado internacional e corretoras brasileiras. Nomad e Terra Investimentos representam dois caminhos diferentes: um orientado a ativos nos EUA e outro com ampla oferta local. Este guia explica, em linguagem simples, como cada plataforma funciona, custos típicos, tributação e em que situações cada uma pode ser mais adequada.
Visão geral: o que é Nomad e o que é Terra Investimentos
Nomad: fintech brasileira que facilita o acesso a ativos cotados em dólar (ações e ETFs listados nos EUA). A conta geralmente opera em dólar, com conversão de reais quando necessário, e usa parcerias de custódia no exterior. Foco: simplicidade para investidores que querem exposição internacional.
Terra Investimentos: corretora brasileira com oferta de produtos do mercado doméstico (ações na B3, ETFs brasileiros, renda fixa, Tesouro Direto, fundos e serviços de custody e assessoria). Foco: amplitude de produtos locais e integração com regras e tributações brasileiras.
Produtos e mercados disponíveis
Nomad — principais ofertas:
– Ações e ETFs listados nos Estados Unidos.
– Conta em dólar e, às vezes, opções de investimentos internacionais adicionais.
Terra Investimentos — principais ofertas:
– Ações e ETFs negociados na B3.
– Títulos de renda fixa (CDBs, LCIs/LCA, debêntures), Tesouro Direto e fundos.
– Possível acesso a serviços de assessoria, simuladores e carteiras recomendadas.
Exemplo prático: se você quer comprar Apple (AAPL) ou um ETF como SPY, Nomad entrega acesso direto. Se prefere comprar um ETF brasileiro ou investir no Tesouro Direto, Terra é a escolha natural.
Custos e taxas — como comparar na prática
Principais custos a observar:
– Corretagem por ordem (fixa ou variável).
– Spread e tarifas de conversão de moeda (quando for comprar em dólar).
– Emolumentos e taxas da bolsa local (B3) para operações no Brasil.
– Custódia ou taxa de manutenção (quando aplicável).
Exemplo prático (estimativa):
– Comprar US$1.000 em Ações via Nomad: spread de conversão 0,8%–2% + corretagem por trade (se houver) → custo total estimado 1%–3% (variável conforme a corretora e o volume).
– Comprar R$1.000 em ETF na B3 via Terra: corretagem pode ser zero a algumas dezenas de reais dependendo do plano; emolumentos e taxas B3 reduzem o rendimento em fração de porcentagem.
Observação: valores são estimativas. Consulte a tabela de tarifas vigente de cada plataforma antes de operar.
Tributação e obrigações fiscais
Aspectos fiscais importantes:
– Operações no exterior (via Nomad) geram obrigação de declarar bens e ganhos no Imposto de Renda. O investidor é responsável por apurar e pagar IR sobre ganho de capital (DARF) e por informar posições em bens e direitos.
– Investimentos na B3 (via Terra) seguem as regras tradicionais: IR sobre Renda Variável (aplicável sobre ganho líquido em operações day trade e comuns), isenções eventuais para vendas mensais até determinado limite (ver regras atuais), e IR regressivo para renda fixa e fundos conforme o produto.
– Dividendos e juros: ações nos EUA podem ter retenção na fonte no país emissor; no Brasil, a tributação de dividendos e juros pode variar conforme legislação vigente.
Recomendação: busque um contador ou consultor tributário para orientações específicas e para evitar erros de declaração.
Segurança e regulamentação
Nomad: atua com parcerias de custódia no exterior e segue requisitos de KYC/AML. A custódia de ativos em corretoras americanas tem regras próprias e proteções locais (por exemplo, regimes de proteção ao investidor nos EUA), mas não substitui garantias brasileiras como o FGC.
Terra Investimentos: corretora brasileira regulada pela CVM e sujeita a normas da B3 e do Banco Central quando aplicável. Investimentos em produtos cobertos pelo FGC (como CDBs de bancos associados) têm proteção até o limite regulamentar.
Dica: verifique o status regulatório e o nome legal da instituição antes de transferir recursos.
Prós e contras de cada plataforma
Nomad — prós:
– Acesso direto a Ações e ETFs dos EUA.
– Conta em dólar para diversificação cambial.
– Interface geralmente simples para investidores que buscam internacionalização.
Nomad — contras:
– Exposição a variação cambial (dólar vs real).
– Tributação e declaração de operações no exterior requerem cuidado.
– Possíveis custos de conversão de moeda.
Terra Investimentos — prós:
– Ampla oferta de produtos brasileiros (Tesouro, CDB, ações B3).
– Integração com regras locais e facilidade de declaração.
– Possibilidade de assessoria e serviços adicionais.
Terra Investimentos — contras:
– Acesso direto a ativos dos EUA pode ser limitado ou envolver produtos sintéticos.
– Dependendo do plano, taxas de corretagem e custódia podem variar.
Como escolher: cenários práticos
Situação A — quero diversificar internacionalmente e comprar ações dos EUA: Nomad tende a ser mais direto e simples.
Situação B — prefiro renda fixa brasileira, Tesouro Direto ou operar ações na B3: Terra é mais indicado.
Situação C — quero os dois mundos: muitas pessoas mantêm contas em ambas as plataformas — Terra para investimentos domésticos e Nomad para exposição em dólar.
Passos práticos para abrir conta (resumido):
1) Compare taxas e políticas nas páginas oficiais.
2) Separe documentos para KYC (CPF, documento com foto, comprovante de residência).
3) Complete a abertura, envie comprovantes e aguarde aprovação.
4) Transfira recursos conforme instruções (câmbio/transferência local) e comece com pequenos valores para testar o fluxo.
Conclusão
Nomad e Terra Investimentos servem a necessidades diferentes: Nomad facilita o acesso ao mercado dos EUA e exposição em dólar; Terra oferece amplitude de produtos e integração com o mercado financeiro brasileiro. A escolha depende de seus objetivos, horizonte e tolerância cambial. Para muitos investidores a melhor estratégia é combinar as duas — mantendo investimento doméstico para objetivos de curto e médio prazo e usando o Nomad para diversificação internacional. Sempre confira taxas atualizadas e consulte um profissional tributário antes de operar em mercados estrangeiros.
