O Assaí informou ter identificado R$ 1,5 bilhão em créditos tributários de PIS/Cofins relacionados a bebidas frias e comunicou mudanças no plano de abertura de lojas para 2026. O anúncio alterou a avaliação de casas de análise e reacendeu o interesse do mercado pela varejista.
Quanto valem os créditos e como serão geridos?
A companhia declarou ter identificado a possibilidade de incorporar R$ 1,5 bilhão em créditos de PIS/Cofins, ligados a bebidas frias, que poderão ser monetizados ao longo dos próximos anos. Analistas do Goldman Sachs estimam que, ao longo de 2026, o Assaí poderá gerar créditos adicionais de cerca de R$ 100 milhões por trimestre. A expectativa de mercado leva em conta que a transição prevista para a nova tributação (CBS) pode interromper a geração de novos créditos a partir de 2027; ainda assim, o Goldman projeta que a empresa conseguirá monetizar o estoque de créditos acumulados até o fim de 2026 até meados de 2028. O Itaú BBA comentou que, sobre esse horizonte de créditos, a tradução para resultados poderia representar um aporte de cerca de 15 pontos-base na margem bruta a partir de 2027. Em termos de valor presente, os analistas do BBA estimaram um VPL aproximado de R$ 1,1 bilhão, que equivaleria a 8,6% do valor de mercado do Assaí antes do anúncio.
Revisões dos analistas: quem mudou números e recomendações
A reação no sell-side foi imediata. A XP Investimentos elevou suas estimativas de lucro líquido para 2026 e 2027 em 56% e 38%, respectivamente, e manteve recomendação de compra para a ação. Os analistas da XP também calcularam que, ao excluir a monetização dos créditos, o lucro líquido ajustado ficaria entre 2% e 8% menor, considerando a alteração no plano de aberturas para 2026-27. O Itaú BBA ressaltou que sua estimativa é superior à média anunciada pela companhia — citada em R$ 1,9 bilhão em créditos pré-imposto — e destacou o VPL de R$ 1,1 bilhão citado acima. O Goldman, por sua vez, enfatizou a capacidade de geração adicional de créditos em 2026, na ordem de R$ 100 milhões por trimestre. Em conjunto, as avaliações dos bancos contribuíram para uma melhora no humor do mercado sobre a ação do Assaí após a divulgação do balanço.
Cenário operacional: vendas fracas no curto prazo e 'efeito K'
No documento de resultados, a própria empresa admitiu que as vendas de curto prazo devem permanecer desafiadoras. O Assaí apontou dois fatores que pressionam o desempenho: a perda de poder de compra do consumidor e a deflação em commodities relevantes. A varejista identificou um 'efeito K' nos padrões de consumo, com lojas situadas em áreas de maior renda apresentando desempenho acima das unidades em áreas de menor renda. Esse ambiente mais lento foi justamente o argumento para a revisão de algumas iniciativas operacionais e do plano de expansão para 2026.
Mudança no plano de expansão e Ações de eficiência
Mantendo o guidance de R$ 700 milhões em capex para 2026, o Assaí decidiu reduzir o número de novas lojas a serem abertas no ano: a expectativa passou de 10 para 5 unidades, concentradas no estado de São Paulo. A companhia também citou uma estratégia de otimização de portfólio, que pode incluir venda ou fechamento de unidades com desempenho abaixo do esperado, com objetivo de aumentar eficiência operacional e melhorar alavancagem. Analistas da XP estimam que, combinando geração de caixa e essas iniciativas, a alavancagem do grupo deve ficar na ordem de 1,9x em 2026.
Produtos e parcerias que seguem na agenda
Apesar do corte no ritmo de abertura de lojas, o Assaí manteve planos de iniciativas estratégicas para 2026. A varejista pretende abrir 25 farmácias no segundo semestre de 2026 e ampliar o projeto 'In&Out' para 30 categorias. O lançamento da marca própria permanece agendado para o primeiro trimestre em São Paulo, acompanhado da abertura de uma seção dedicada a suplementos, também no primeiro trimestre. A companhia confirmou que a parceria com o Mercado Libre (Mercado Livre BDR: MELI34) seguirá a partir do segundo trimestre de 2026 e informou que continuará a expandir a parceria com o iFood.
O anúncio dos créditos de PIS/Cofins reequilibrou a leitura do mercado: trouxe potencial de geração de caixa e levou bancos a elevar lucros previstos, ao mesmo tempo em que a companhia revisou planos de expansão diante de vendas mais fracas no curto prazo. Resta agora a execução da monetização dos créditos ao longo de 2026 e o desdobramento das iniciativas de otimização do portfólio e das novas parcerias.
