O BTG Pactual saiu da conferência com CEOs do setor de óleo e gás com preferência por Prio e Ultrapar como suas Top Picks para 2026, destacando execução operacional e balanços mais leves. A escolha reflete foco em empresas com disciplina de capital num ano que o banco vê como de maior seletividade para o setor.
Por que Prio virou preferência no upstream
O BTG aponta que os projetos orgânicos da Prio avançam de forma consistente e trazem marcos relevantes já no primeiro semestre de 2026. O principal gatilho operacional é o início de produção em Wahoo, esperado para o fim de março, com três poços perfurados e dois já conectados, segundo a administração. Além de Wahoo, o banco ressalta progresso em Peregrino — onde a companhia conseguiu reduzir custos operacionais após a aquisição da participação da Equinor ao cortar despesas administrativas, revisar contratos e desmobilizar estruturas como o "floatel" — e em Frade, cuja emenda de licença de perfuração é esperada no segundo trimestre, abrindo espaço para novas campanhas ainda em 2026.
Dividendos e política de distribuição na mira do mercado
Para o BTG, o conjunto de iniciativas da Prio sustenta recompras de ações e a possibilidade de distribuir caixa aos acionistas. O banco destaca que a companhia deve divulgar nos próximos meses uma política ancorada em alavancagem, com pagamentos quando a relação dívida líquida/Ebitda se aproximar de 1,0x a 1,5x. As conversas com a gestão reforçaram a visão de que dividendos podem começar já no segundo semestre de 2026, mesmo que a empresa não alcance 1,0x de alavancagem, caso a situação financeira permita.
Ultrapar: diversificação operacional e balanço mais leve
O BTG vê a Ultrapar em um "bom momento nos negócios" com baixa alavancagem, o que amplia a flexibilidade estratégica da companhia. Na Ipiranga, o principal ativo, a administração descreveu um ambiente mais construtivo a partir do segundo semestre de 2025, com foco em ganho de volume e participação de mercado. Entre iniciativas operacionais citadas pelo banco, destaca-se a troca do sistema de gestão (ERP), que pode gerar economia de R$ 5 a R$ 10 por metro cúbico em despesas administrativas até 2027. Há também atenção à gestão do capital de giro, redução de estoques e disciplina de investimentos.
Negócios complementares: Iconic, Ultragaz e Hidrovias
O BTG qualifica a Iconic, joint venture de lubrificantes, como um negócio de alto retorno sobre capital investido (ROIC) com forte geração de caixa, que tem ganho participação em produtos premium e sintéticos. Em contrapartida, a Ultragaz teve um 2025 mais desafiador por leilões da Petrobras e oscilações de demanda, mas a gestão interpreta esses fatores como pontuais. No segmento de Hidrovias, a Ultrapar adotou postura mais conservadora, reduzindo o ritmo de investimentos e saindo de iniciativas consideradas distrativas; a alocação de capital segue centrada em retorno ajustado ao risco, com dividendos como alternativa quando faltam projetos atrativos.
Empresas com maior pressão financeira e leitura do BTG
O tom do banco foi mais equilibrado em relação a outras companhias. A Petrobras recebeu avaliação neutra: o banco registrou maior volatilidade na produção por paradas de manutenção adiadas e pela entrada de grandes FPSOs, que aumentam sensibilidade a indisponibilidades. A estatal tem foco em otimização de custos operacionais e contratos de afretamento e mantém disciplina na alocação de capital; a administração considera que, mesmo com Brent a US$ 60, a política de dividendos deve permanecer inalterada, e que a apreciação do real pode pressionar parte do capex e do opex ao longo do ano.
Brava e PetroReconcavo: estabilização e postura seletiva
A Brava Energia apresenta estabilização gradual da produção em ativos offshore como Atlanta e Papa-Terra, com campanhas de perfuração previstas para 2026; a empresa mantém disciplina financeira e busca otimização de portfólio, inclusive com eventuais vendas de participações minoritárias, mas o BTG alerta que, em um cenário de Brent a US$ 60, o fluxo de caixa pode seguir pressionado. A PetroReconcavo deve ter produção relativamente estável no primeiro semestre, com possível melhora na segunda metade do ano conforme projetos entrem em operação; sua estratégia concentra-se em gestão de reservatórios e recuperação secundária, e o capex deve cair em 2026 em linha com postura mais seletiva.
O BTG conclui que 2026 tende a ser ano de maior seletividade no setor de óleo e gás: empresas com execução previsível, balanços mais leves e disciplina de capital — como Prio e Ultrapar, segundo o banco — devem se destacar. Para investidores, os marcos operacionais imediatos a observar são o início da produção em Wahoo no fim de março, a eventual emenda de licença em Frade no segundo trimestre e as próximas comunicações da Prio sobre política de distribuição de caixa.
