Efeito HALO: 10 ações brasileiras que o Santander vê como menos vulneráveis à obsolescência pela IA

O Santander montou um ranking e uma carteira com dez Ações brasileiras alinhadas ao chamado efeito HALO — High Assets, Low Obsolescence — numa resposta à realocação de investidores que reavaliam exposição a negócios mais suscetíveis à automação cognitiva. A tese do banco favorece empresas com ativos físicos relevantes e barreiras que reduzem o risco de serem substituídas por modelos de inteligência artificial.

O que é o efeito HALO e por que ele ganhou força agora

O efeito HALO parte da ideia de que, diante do avanço da inteligência artificial, investidores passaram a distinguir negócios pela combinação de intensidade de ativos e baixa probabilidade de obsolescência. A euforia inicial com papéis ligados à IA cedeu lugar a uma triagem mais rigorosa: ativos digitais e serviços com facilidade de escala ficam expostos a entrada mais rápida de concorrentes caso ferramentas de IA reduzam custos de desenvolvimento. Nesse contexto, empresas com grande base de ativos tangíveis e receitas menos vulneráveis à automação — utilities, energia, concessões e setores materiais — passaram a ser vistas como mais resilientes. O Santander sintetiza o posicionamento ao afirmar que, "à medida que o posicionamento é desmontado em nomes digitais congestionados e realocado para ativos mais duráveis, esperamos que exposições HALO — particularmente em mercados emergentes intensivos em ativos — apresentem desempenho relativo superior".

Como o Santander construiu o indicador

A metodologia do banco considera quatro pilares: intensidade de ativos, vulnerabilidade de receita à IA, risco de desintermediação e força de barreiras regulatórias ou de capital. Esses elementos buscam medir, para cada setor e mercado, a probabilidade de que a atividade econômica seja afetada por soluções de IA que possam reduzir margens ou eliminar intermediários. Aplicando o indicador aos principais índices globais, o Santander concluiu que o Ibovespa e o MSCI Brazil apresentam uma combinação relativamente favorável entre pontuação HALO e múltiplos mais baixos, em comparação com outros mercados. O argumento do banco é que a composição da Bolsa brasileira — com peso relevante em energia, utilities, materiais e concessões — tende a ser menos exposta à automação cognitiva e à desintermediação tecnológica.

A carteira brasileira alinhada à tese

Com base nessa avaliação, o Santander montou uma cesta de ações brasileiras que, segundo o banco, se alinham à estratégia HALO. Os papéis listados são: AXIA3, CSMG3, ORVR3, BRAV3, PRIO3, CYRE3, DIRR3, VIVT3, AURA33 e VALE3. O banco posiciona utilities e energia no topo da capacidade de resiliência ao risco de obsolescência, enquanto que software e mídia aparecem nas últimas posições do ranking. O próprio Santander resume a convicção: "Acreditamos que não são negócios que desaparecem porque um grande modelo de linguagem fica mais inteligente". Em outras palavras, o banco entende que algumas atividades têm atributos — seja por ativos físicos, contratos de concessão ou barreiras regulatórias — que limitam a substituição por soluções de IA.

Limites e risco de reversão da estratégia

O Santander também aponta explicitamente o que poderia reverter o movimento em direção às exposições HALO. O principal risco é que a IA se mostre, em larga escala, predominantemente geradora de produtividade em vez de destruidora de margens: se ferramentas de IA aumentarem ganhos de eficiência sem reduzir a necessidade dos negócios existentes, o fluxo de recursos poderia retornar para empresas de crescimento e modelos escaláveis. Além disso, fatores macro — como queda de juros reais, melhora na Liquidez global e maior apetite a risco — tenderiam a favorecer ações de maior duração. O banco qualifica a mudança que observa não como um êxodo do crescimento, mas como "uma recalibração" do posicionamento dos investidores.

O que muda na alocação de carteiras

A adoção da tese HALO implica realocar parte do capital que vinha concentrado em nomes digitais e empresas cuja receita é facilmente escalável para papéis com exposição a ativos tangíveis e contratos de longo prazo. Para gestores, isso significa procurar empresas com menor risco de desintermediação e com estruturas de capital e regulação que elevem as barreiras à concorrência. Para o mercado brasileiro, o efeito prático, segundo o Santander, é que a composição setorial da Bolsa deve oferecer, em teoria, proteção relativa caso a automação cognitiva reduza margens em segmentos intensivos em software e serviços.

O resultado prático da análise do Santander foi a seleção de dez ativos brasileiros que, na visão do banco, combinam alta intensidade de ativos e baixa probabilidade de obsolescência por IA. A tese depende, contudo, de duas condições observáveis: a forma como a IA impactará margens e produtividade e o comportamento dos investidores diante de mudanças de liquidez e taxa de juros. Até que esses vetores fiquem mais definidos, o movimento descrito pelo banco deve ser interpretado como uma reavaliação de risco setorial e não como um abandono definitivo das estratégias de crescimento.

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