As ações da Marcopolo (POMO4) subiram 3,60% a R$ 6,90 por volta das 12h30 desta quinta-feira (26), na esteira do balanço do quarto trimestre de 2025. O lucro líquido de R$ 341,7 milhões no 4T25, 7,2% acima do mesmo período de 2024, ajudou a colocar a ação na ponta positiva do Ibovespa, mas a leitura dos analistas sobre 2026 permanece dividida.
Resultados do 4T25 em números
A Marcopolo reportou lucro líquido de R$ 341,7 milhões no 4T25, alta de 7,2% em relação ao 4T24. A receita operacional líquida ficou em R$ 2,57 bilhões, recuo de 3,6% na comparação anual. Os bancos que cobrem a ação destacaram que, embora a receita não tenha surpreendido, o desempenho operacional e itens como Ebitda e resultado financeiro contribuíram para resultados superiores às expectativas em linha com as casas consultadas.
Por que o mercado reagiu positivamente
A reação do mercado se apoiou na combinação de lucro acima do previsto e de margens operacionais melhores do que as estimadas por parte das corretoras. O Itaú BBA estima que o resultado líquido do trimestre veio quase 20% acima do esperado, citando desempenho operacional e surpresas positivas em resultado financeiro e impostos como suportes para a geração de lucro. Para o BTG Pactual, o destaque do trimestre foi o lucro líquido, que superou sua projeção em 17% — um alívio diante das leituras mais fracas que vinham sendo incorporadas desde o 3T25.
Leitura dos analistas: entre alívio tático e cautela estrutural
Os relatórios das instituições refletem um diagnóstico ambíguo. O BTG Pactual considera o 4T25 um alívio para o mercado porque dados setoriais, incluindo os da Fabus, vinham indicando volumes menores e mix mais fraco; ainda assim, o banco mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 10. O Bradesco BBI também faz uma leitura positiva do balanço — as principais linhas superaram estimativas — mas avalia que o desempenho do preço da ação tenderá a ser "positivo, porém modesto", dado que a mensagem da empresa para 2026, especialmente para o 1º semestre, segue fraca.
Sinais de alerta para 2026
Os analistas pontuam riscos claros para o curto prazo. A própria Marcopolo já antecipou um primeiro trimestre mais fraco, em função de demanda fraca por rodoviários e de um câmbio desfavorável às exportações. Esses fatores colocam um teto para uma possível valorização imediata das Ações, segundo o BTG e o BBI. A leitura conjunta é de que o resultado do 4T25 melhora o ponto de partida, mas não elimina incertezas sobre volumes e mix no início do ano.
Fontes de potencial alta apontadas pelos bancos
Apesar da cautela, os analistas identificam gatilhos que podem reverter a narrativa mais fraca para 2026. O Itaú BBA indica que os números do 4T podem abrir espaço para um ajuste de Rentabilidade projetada para 2026 e influenciar a expectativa de lucro líquido do consenso, atualmente em torno de R$ 1,2 bilhão. Duas fontes iminentes de receita que o BBA cita são: pedidos maiores do que o esperado por parte do Ministério da Saúde na licitação de 3.000 micro-ônibus e uma possível participação superior a 50% no leilão do programa Caminho da Escola, cuja realização está prevista para a próxima terça-feira. O Bradesco BBI menciona esses contratos como vetores significativos de upside para compensar uma primeira metade de 2026 fraca.
Posicionamento de recomendação e preço-alvo
Há divergência nas recomendações: o BTG Pactual mantém classificação neutra com preço-alvo de R$ 10; o Itaú BBA tem classificação outperform (equivalente a compra) e também preço-alvo de R$ 10; o Bradesco BBI, embora positivo no balanço, sinaliza que o efeito sobre o preço das ações tende a ser limitado diante das perspectivas fracas para o início do ano. O mercado, portanto, opera entre leitura de melhora operacional pontual e cautela quanto à sustentabilidade desse desempenho.
Implicações para investidores e próximos marcos
No curto prazo, a reação da ação sinaliza que o mercado valoriza a surpresa positiva do 4T25, mas os investidores devem monitorar fatores que podem reduzir essa janela de otimismo: a comunicação da empresa sobre o 1º trimestre, a evolução do câmbio que afeta exportações e os desdobramentos das licitações citadas pelos analistas. O leilão do Caminho da Escola e o resultado da licitação do Ministério da Saúde aparecem como eventos capazes de alterar expectativas de receita e margem para 2026.
O balanço do 4T25 deu alento à Marcopolo, com lucro acima do esperado e melhora operacional que inflou margens. Ainda assim, a leitura dos analistas é que o efeito positivo tende a ser moderado e condicionado a contratos públicos e à recuperação de demanda por rodoviários; a empresa já prevê um 1º trimestre mais fraco. Os próximos gatilhos para a ação são a divulgação de guidance para 2026, o desempenho comercial no início do ano e os resultados das licitações do Ministério da Saúde e do programa Caminho da Escola.
