Nubank (ROXO34) registra lucro recorde de US$ 895 mi, mas resultado é visto como ‘menos empolgante’ por analistas

O Nubank divulgou 4T25 com lucro recorde de US$ 895 milhões e base de 131 milhões de clientes, mas o balanço dividiu analistas por combinar forte crescimento operacional com pressões em provisões e despesas. As reações variaram entre uma recomendação outperform do Safra e postura neutra da XP, que apontou riscos capazes de limitar a reação das Ações no curto prazo.

Reações opostas: Safra otimista; XP cautelosa

O Banco Safra avaliou o 4T25 do Nubank como "misto" — suficientes fundamentos saudáveis, mas sem surpresas positivas capazes de empolgar o mercado no curto prazo. Ainda assim, manteve visão otimista para 2026 e elevou o preço-alvo para US$ 22 (ante US$ 16,65), implicando potencial de alta de cerca de 32% na cotação das ações listadas na NYSE. Em contrapartida, a XP Investimentos reiterou recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 11,30, abaixo da cotação atual de R$ 16,65, citando maior custo de risco, despesas em alta e dependência de efeitos tributários para sustentar a Rentabilidade. Ambas as casas, no entanto, reconhecem a trajetória de crescimento e a escala que a operação alcançou.

Escala operacional e indicadores unitários

Os números operacionais reforçaram a dimensão da plataforma: 131 milhões de clientes ao fim de 2025 — 113 milhões no Brasil, 14 milhões no México e 4,2 milhões na Colômbia — e taxa de atividade em torno de 83%. A receita média mensal por cliente ativo (ARPAC) alcançou recorde de US$ 15, enquanto o custo de servir (CTS) caiu para US$ 0,8. A XP destaca que esses indicadores confirmam a solidez das unit economics da companhia. A relação de eficiência ficou em aproximadamente 19,9%, outro sinal, segundo as casas, de ganho de escala.

Crédito em aceleração, mas provisões sobem

A carteira de crédito do Nubank avançou 13% no trimestre, para US$ 32,7 bilhões, segundo o Safra. A qualidade dos ativos mostrou melhora marginal: o NPL acima de 90 dias caiu para 6,6% e o NPL entre 15 e 90 dias recuou para 4,1%. A XP atribuiu parte dessa evolução a maior renda dos clientes, à expansão de carteiras colateralizadas e a avanços nos modelos de machine learning. O ponto de atenção é o aumento das provisões: o Safra registrou incremento relevante frente ao trimestre anterior, parte decorrente da estratégia de expansão de limites de crédito — cerca de US$ 11 bilhões em limites concedidos ainda não utilizados exigem provisionamento antecipado.

Margem financeira e custo de captação

Apesar das provisões, a margem financeira (NIM) apresentou expansão de cerca de 90 pontos-base no trimestre, beneficiada por menor custo de captação e por um mix de carteira mais favorável. O custo de captação caiu para 87% do interbancário, segundo o relatório, e ajudou a sustentar a evolução da margem no período.

Despesas e investimentos pressionam resultado

As despesas operacionais foram outro fator que limitou o entusiasmo. O Safra apontou gasto 10% acima de sua estimativa, o que pressionou o lucro antes de impostos (EBT), que ficou 13% abaixo da projeção do banco. A XP detalha que parte desse aumento veio de despesas extraordinárias ligadas à transição para o retorno ao escritório — cerca de US$ 22 milhões — além de maiores investimentos em tecnologia e na expansão internacional. A administração sinalizou que os gastos devem permanecer em patamares mais elevados pelos próximos quatro a seis trimestres.

Onde o resultado pesa para as ações

Analistas concordam que o Nubank mantém uma trajetória de crescimento consistente e ganhos de eficiência, mas divergem sobre o balanço entre esse crescimento e os riscos de curto prazo. Para o Safra, a empresa deve continuar entregando performance relevante e a ação tem espaço para valorização; para a XP, o trimestre evidenciou elementos (provisões crescentes, despesas elevadas e dependência de benefício fiscal) que justificam uma postura mais conservadora. No curto prazo, portanto, a combinação entre aceleração da carteira, provisões antecipadas e investimentos em tecnologia será determinante para o comportamento das ações.

O balanço do 4T25 confirma a escala do Nubank e melhora em métricas-chave, mas traz sinais de tensão: provisões crescentes e despesas mais altas podem limitar a leitura positiva do lucro recorde. A divergência entre Safra e XP resume a principal tensão para investidores: apostar na continuidade do crescimento com investimentos elevados ou considerar os riscos de curto prazo que podem restringir a rentabilidade nos próximos trimestres.

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