As Ações da Rede D’Or (RDOR3) recuaram 7,19%, a R$ 40,39, às 11h desta quinta-feira (26), em reação aos resultados do quarto trimestre de 2025. Embora o desempenho operacional tenha mostrado pontos positivos, analistas destacaram itens que reduziram lucro e margem, provocando a venda.
Por que o mercado reagiu com queda tão acentuada?
Analistas consultados após a divulgação do 4T25 apontaram que a pressão sobre os papéis veio de um conjunto de fatores que reduziram o lucro por ação ajustado e comprimiram a Rentabilidade. O JPMorgan afirmou que o lucro por ação ajustado ficou cerca de 13% a 15% abaixo da projeção do banco. Entre os elementos citados estão despesas superiores ao esperado relacionadas à SulAmérica — em especial provisões para processos cíveis — e um aumento das despesas financeiras líquidas que pesaram no resultado do trimestre.
Onde a operação hospitalar se saiu bem e onde perdeu fôlego?
Os bancos reconheceram avanços na operação hospitalar, mas ressaltaram perda de rentabilidade. O Bradesco BBI destacou que a receita hospitalar cresceu 16% em relação ao mesmo período do ano anterior e que houve aceleração frente ao trimestre anterior. Ainda assim, a margem EBITDA hospitalar recuou 1,2 ponto percentual e ficou abaixo do esperado pelo BBI, por conta de uma margem bruta de caixa menor. O Itaú BBA também observou que o crescimento de receita foi impulsionado por um ticket médio maior, cirurgias e perspectivas no segmento de oncologia, mas que a maior complexidade dos procedimentos afetou a rentabilidade operacional. O banco ressaltou ainda que a taxa de ocupação de 76,9% no trimestre foi superior à média histórica para um 4º trimestre, mesmo com redução sazonal de 92 leitos.
Quanto pesaram as despesas financeiras e outros custos?
O aumento das despesas financeiras líquidas foi citado como um dos fatores que explicam o desalinho entre os números divulgados e as expectativas dos analistas. O Bradesco BBI reportou um aumento de 35% nas despesas financeiras líquidas em comparação anual, valor que ficou 20% acima da estimativa do próprio BBI. No segmento de seguros, o Itaú BBA identificou um ticket médio menor e um salto nos custos operacionais da SulAmérica, com destaque para um aumento de 132% nas provisões para contingências em um ano e incremento de 44% em gastos com serviços de terceiros.
Há consenso sobre a leitura da SulAmérica?
Não totalmente. O JPMorgan avaliou que a SulAmérica surpreendeu positivamente com um Índice de Sinistralidade (MLR) mais baixo. Por outro lado, o Bradesco BBI ponderou que esse resultado pode ter sido favorecido por uma provisão menor de IBNR (sinistros ocorridos mas não avisados), o que levanta dúvidas sobre a sustentabilidade da melhora. O Itaú BBA preferiu focar na eficiência da rede hospitalar ao comentar o conjunto dos números.
Qual foi o impacto nas estimativas e nas recomendações dos bancos?
Apesar das ressalvas quanto a custos, provisões e despesas financeiras, as três casas de análise mantiveram recomendações de compra para Rede D’Or. O Bradesco BBI reiterou Compra (Outperform) com preço-alvo de R$ 47,00. O Itaú BBA também recomenda Compra, com preço-alvo de R$ 58,00. O JPMorgan mantém recomendação de Compra (Overweight), sem preço-alvo divulgado no material consultado.
A leitura dos resultados do 4T25 combina crescimento de receita, principalmente na operação hospitalar, com efeitos adversos sobre margem e lucro devido a provisões na SulAmérica, maior complexidade de procedimentos e despesas financeiras em alta — fatores que explicam a queda imediata das ações, embora os bancos continuem com recomendação de compra e alvos de R$ 47,00 (Bradesco BBI) e R$ 58,00 (Itaú BBA).
