A WEG divulgou resultados do 4T25 que contrariaram a expectativa de ser o “pior trimestre em uma década”: receita em queda, mas margens e Ebitda acima do esperado. O desempenho elevou o debate entre casas de análise sobre se a surpresa operacional é suficiente para justificar o Valuation atual e as projeções para 2026.
Resultado do 4T25 em números
No consolidado, a receita líquida da WEG no quarto trimestre de 2025 foi de R$ 10,2 bilhões, recuando cerca de 5% em relação ao mesmo período de 2024. O Ebitda somou R$ 2,3 bilhões, com margem de 22,4% — desempenho que superou estimativas de mercado e casas de análise. O lucro líquido do período ficou em R$ 1,587 bilhão, uma queda anual de 6,3%. O investimento produtivo (capex) no trimestre foi de R$ 814 milhões, enquanto o retorno sobre capital investido (ROIC) permaneceu em patamar elevado, acima de 30%.
Por que a receita recuou: câmbio e fim de projetos
A queda na receita foi atribuída a três fatores principais apontados pelos analistas: valorização do real (alta de 7,7% ano a ano), menores contribuições inorgânicas e o encerramento de projetos relevantes em geração solar e eólica. O mercado doméstico foi o ponto mais fraco — a receita interna da WEG caiu mais de 12% ano a ano, impulsionada pelo segmento de Geração, Transmissão e Distribuição (GTD), cuja receita doméstica recuou cerca de 29% devido à ausência de novos projetos solares e eólicos. Em contraste, o segmento doméstico de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais (EEI) cresceu, sustentado por demanda de ciclo curto e manutenção industrial.
Exterior sustentou performance em moeda forte; efeito cambial pressionou reais
No mercado externo a leitura foi mais construtiva: a receita ficou praticamente estável em reais, mas cresceu em dólar, indicando que a fraqueza em moeda local decorreu sobretudo da valorização do real. O Itaú BBA destacou demanda saudável em ventilação, refrigeração e motores de alta tensão no exterior. O segmento GTD apresentou avanço sequencial relevante fora do Brasil, com destaque para a América do Norte, onde houve investimentos em infraestrutura de redes.
Margens: eficiência e mix mais favorável explicam a surpresa
Embora o consenso esperasse uma retração nas margens, a WEG mostrou expansão operacional no trimestre. A margem Ebitda de 22,4% superou estimativas: enquanto o modelo do Itaú BBA projetava contração de 90 pontos-base, a companhia registrou expansão de 30 pontos-base na comparação anual. As casas que analisaram o balanço atribuíram a melhora a um mix mais favorável, maior participação de negócios de ciclo longo e ganhos de eficiência e produtividade, especialmente nas operações internacionais. A XP ressaltou que esses fatores “mais do que compensaram os impactos tarifários”, e a Genial destacou a resiliência das margens mesmo frente a custos maiores de matérias‑primas, como cobre.
Leitura das casas de análise e preços‑alvo
As avaliações sobre o balanço foram distintas entre as corretoras, apesar do consenso de que o trimestre ficou melhor do que o temido. O Itaú BBA classificou o resultado como uma surpresa positiva — “o tão aguardado pior trimestre em uma década finalmente chegou e… foi melhor do que o esperado” — e manteve recomendação outperform com preço‑alvo de R$ 50,00 para o fim do ano. A XP considerou o trimestre “neutro”, manteve recomendação neutra e fixou preço‑alvo de R$ 46,00, sinalizando potencial negativo de 8,5% em relação ao último preço reportado no relatório. A Genial manteve recomendação de compra e preço‑alvo de R$ 62,00 (alta de 23%), ao mesmo tempo em que ressaltou a ausência de gatilhos de curto prazo.
Pontos de divergência: crescimento orgânico, capacidade e valuation
O debate entre as casas concentra‑se menos no trimestre em si e mais na assimetria para 2026. O Itaú vê risco positivo para as estimativas do próximo ano e mantém a WEG entre suas principais escolhas, enquanto a Genial aponta potencial de surpresa positiva no capex, especialmente se cortes de juros favorecerem retomada industrial nos EUA e Europa, impactando a taxa de ocupação de ativos adquiridos recentemente. Em contrapartida, a XP alerta que o crescimento orgânico de curto prazo segue limitado por capacidade e por efeitos do câmbio, e que o valuation passou a ser mais questionado após a alta acumulada da ação desde outubro. A Genial observa que, negociando próxima de 30 vezes o lucro projetado para 2026, a ação exige maior visibilidade de crescimento para justificar múltiplos.
O balanço do 4T25 mostra desaceleração de receita, mas uma capacidade operacional de preservar e até expandir margens em ambiente adverso. No curto prazo, a ausência de gatilhos claros para retomada limita espaço para reprecificação imediata; no médio prazo, a discussão está centrada na trajetória de expansão em 2026 e na capacidade da WEG de converter investimentos e aquisições recentes em crescimento suficiente para sustentar múltiplos próximos a 30 vezes o lucro projetado.
