Douglas Ruas convocado por Flávio Bolsonaro para reunião em Brasília e tende a ser apresentado como pré-candidato ao Palácio Guanabara

Os nomes escolhidos pelo PL para compor o palanque do presidenciável Flávio Bolsonaro na disputa pelo governo do Rio foram convocados para uma reunião em Brasília na tarde desta terça-feira. O secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas (PL), deve ser apresentado como pré-candidato ao Palácio Guanabara, com o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP) na condição de possível vice.

Roteiro da reunião e anúncio esperado

O encontro previsto em Brasília terá início com uma conversa restrita entre Flávio Bolsonaro, o governador Cláudio Castro (PL) e o presidente estadual do PL, o deputado federal Altineu Côrtes, para balizar os termos do acordo eleitoral. Após esse primeiro momento, os demais quadros selecionados para o palanque serão chamados. Há expectativa de que a aliança seja anunciada ainda hoje, na sequência das tratativas iniciadas no Rio.

Por que Douglas Ruas foi escolhido

A indicação de Douglas Ruas vai na contramão da estratégia que vinha sendo defendida por Castro nas últimas semanas, que era lançar o secretário de Casa Civil, Nicola Miccione, para disputar o mandato-tampão que será decidido por eleição indireta caso o governador saia do cargo até abril para concorrer ao Senado. Ruas, por sua vez, manifestou nos últimos meses o desejo de já ocupar o cargo — inclusive por via de uma eventual eleição indireta — no início da campanha oficial. Esse posicionamento é visto como vantajoso por quem defende que o candidato corra com a estrutura da máquina pública desde o começo do processo, em confronto direto com adversários como o prefeito Eduardo Paes (PSD).

Dilema sobre Miccione e a disputa interna

A mudança de direção em favor de Ruas deixa em aberto a viabilidade da candidatura de Miccione. Segundo as informações reunidas na reunião preparatória, a possibilidade de Miccione concorrer dependeria de Ruas aceitar disputar sem estar no cargo no início da campanha — ou seja, sem a vantagem de assumir por uma eventual eleição indireta. A definição desses detalhes será determinante para a montagem final da chapa e para os movimentos internos do PL no território fluminense.

O papel de Rogério Lisboa e o movimento do PP

O ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP) surge como o nome apontado para ocupar a vaga de vice na chapa alinhada a Flávio Bolsonaro. Lisboa era um dos preferidos de Eduardo Paes para compor sua chapa, mas a dificuldade do prefeito em garantir o apoio do PP o levou a fechar alianças com o MDB, acertando a indicação da irmã do presidente estadual emedebista, Jane Reis, como vice. Esse movimento de Paes foi suficiente para tirar a disputa do estado de letargia em que se encontrava e provocar reação nos demais atores partidários.

Quem participou da articulação no Rio

A reunião realizada no Rio como preparativo para a ida à capital federal contou com a presença de Castro, Altineu Côrtes e representantes do PP e do União Brasil. Além de Rogério Lisboa, estiveram presentes o presidente estadual do PP, deputado Dr. Luizinho; o presidente nacional do União, Antonio Rueda; e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella. Esses encontros serviram para costurar um entendimento que agora será levado para Brasília e validado pelo núcleo do presidenciável.

O impacto sobre a articulação de Eduardo Paes

No quadro atual, a leitura política no Rio é de que os arranjos ainda podem mudar até o início da campanha, pois Paes tende a buscar novas formas de atrair o PP e o União Brasil. Na avaliação dos interlocutores citados, contudo, o acordo fechado por Paes com o MDB já levou parte da estrutura — detentora de tempo expressivo de propaganda eleitoral na TV e no rádio e com capilaridade no estado — para o lado do bolsonarismo, complicando a costura de apoios que o prefeito precisava para fortalecer sua frente.

A reunião em Brasília deve consolidar, nas próximas horas, a indicação de Douglas Ruas como pré-candidato do PL ao governo do Rio, com Rogério Lisboa como provável vice, e formalizar os termos do acordo costurado entre PL, PP e União Brasil. Mesmo assim, atores como Nicola Miccione e Eduardo Paes ainda podem influenciar mudanças na configuração da disputa até o início efetivo da campanha.

Rolar para cima