Tarifa de 10%: China e Brasil aparecem como vencedores relativos, diz BTG; mercados reagem

A decisão da Suprema Corte dos EUA e a aplicação de uma tarifa global de 10% pressionaram a agenda internacional e mudaram fluxos de capital, com efeitos imediatos sobre mercados e moedas. Segundo Bruno Henriques, head de análise de Renda Variável do BTG Pactual, a China e o Brasil surgem como beneficiados relativos dessa nova alíquota. No front doméstico, o Ibovespa atingiu 190 mil pontos enquanto o dólar recuou ao menor nível em dois anos.

Quem se beneficia com a tarifa de 10%

No Giro do Mercado, o analista Bruno Henriques avaliou que, após a decisão da Suprema Corte e a aplicação da alíquota de 10%, há vencedores claros nesse ajuste comercial: a China e, de forma relativa, o Brasil. Para Henriques, o movimento alterou o desenho da competição internacional e as preferências por alocação de capital. "Nesse ponto, a decisão do fluxo de capital permanece. Após a decisão da Suprema Corte, esse aspecto dos 10% foi benéfico para a América Latina e países emergentes", disse o especialista do BTG.

Diversificação de reservas e papel do dólar

Henriques apontou que a discussão sobre a diversificação das reservas de investimento em dólar ganha força no novo cenário. Segundo ele, a narrativa sobre o dólar como reserva de valor "perdendo um pouco da sua relevância" segue em voga — uma leitura que, no entendimento do BTG, favorece economias fora do eixo tradicional dólar-centrista. A mudança no apetite por ativos e moedas explica parte da reação observada nos mercados emergentes nesta manhã.

Riscos apontados para investimentos em Inteligência Artificial

Além da tensão comercial, o mercado digeriu um relatório da Citrini Research sobre riscos associados ao investimento em inteligência artificial. O documento destacou potenciais efeitos adversos em um cenário de implementação em massa — entre eles, aumento do desemprego, queda no consumo e pressão sobre salários. Henriques comentou que o estudo traz uma reflexão sobre resultados extremos após adoção ampla da tecnologia: "O documento faz uma reflexão como se analisasse o cenário após uma implementação em massa, com vários efeitos extremos".

Movimentos no mercado doméstico: bolsa, câmbio e receitas

No front local, a sessão registrou sinais positivos para ativos brasileiros: o índice Ibovespa alcançou a casa dos 190 mil pontos, enquanto o dólar registrou queda, ficando no menor nível em dois anos. No campo fiscal, a Receita Federal informou uma alta real de 3,65% das receitas arrecadadas em janeiro de 2026, dado que acompanha o apetite por ativos do país em um contexto externo mais favorável à América Latina.

Desempenho de empresas: Petrobras, Vale e o caso Gerdau

Entre os papéis, Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) figuraram entre os destaques positivos na manhã citada no Giro do Mercado. Em sentido contrário, Gerdau (GGBR4) foi uma das principais quedas do Ibovespa após divulgar lucro de R$ 670 milhões no quarto trimestre de 2025. Henriques explicou a reação do mercado ao resultado: se anualizarmos a geração de caixa, "isso daria 13% do valor de mercado da empresa, o que é um bom número." Contudo, ele salientou uma ressalva sobre a qualidade dessa geração de caixa: grande parte do montante veio da liberação de capital de giro, o que levanta dúvidas sobre a recorrência do desempenho. Em janeiro, o BTG já havia reduzido a recomendação para Gerdau para neutra, decisão tomada com base em performance relativa, segundo Henriques.

A combinação entre a nova tarifa global de 10% e o debate sobre o papel da inteligência artificial reorganizou preferências de risco no curto prazo: há leitura no mercado de que a medida favorece ativos de China e de alguns emergentes, incluindo o Brasil, enquanto investidores monitoram a sustentabilidade de ganhos corporativos como os reportados por Gerdau. A narrativa sobre diversificação de reservas e menor centralidade do dólar permanece como pauta relevante para os próximos desdobramentos.

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