Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada um dia antes do discurso do Estado da União mostra que 61% dos norte‑americanos descrevem o presidente Donald Trump como tendo “se tornado errático com a idade”. O resultado inclui 30% de apoiadores republicanos e revela tensão sobre a idade dos líderes eleitos nos EUA.
Como a pesquisa foi feita
A sondagem online da Reuters/Ipsos entrevistou 4.638 adultos nos Estados Unidos ao longo de seis dias, com término na segunda‑feira anterior ao discurso anual do Estado da União. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais. O levantamento foi divulgado em um momento de forte exposição pública de Trump, que vinha protagonizando um mês de repreensões a parlamentares e juízes, e um dia antes de se dirigir ao Congresso para o discurso.
Os números que se destacam
No total, 61% dos entrevistados disseram que descreveriam Trump como tendo “se tornado errático com a idade”. A divisão por filiação partidária mostra variação significativa: 89% dos eleitores democratas e 64% dos independentes compartilham essa percepção, enquanto 30% dos republicanos também a manifestaram. Em paralelo à avaliação de erraticidade, cerca de 40% dos entrevistados aprovavam o desempenho de Trump como presidente na pesquisa mais recente — um aumento de dois pontos percentuais em relação ao início do mês citado pela reportagem. A aprovação, contudo, está aquém do patamar inicial do seu mandato, quando alcançou 47%, e tem se mantido dentro de um intervalo estreito desde abril.
Percepção sobre a idade dos representantes em Washington
A pesquisa aponta que a preocupação com a idade não se limita a Trump. Cerca de 79% dos entrevistados concordaram com a afirmação de que “os políticos eleitos em Washington, D.C., são muito velhos para representar a maioria dos americanos”. O levantamento também chama atenção para exemplos concretos citados na matéria: a idade média no Senado é de aproximadamente 64 anos, e na Câmara dos Deputados cerca de 58 anos. Entre democratas, 58% consideraram que o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, aos 75 anos, é muito velho para trabalhar no governo.
Comportamento público e políticas recentes de Trump
O relatório relaciona as percepções sobre a idade de Trump com uma série de Ações e declarações públicas adotadas desde que retornou ao cargo. Segundo a matéria, Trump voltou à presidência em janeiro de 2025, aos 78 anos, tornando‑se o presidente mais velho na posse na história dos EUA. Desde então, ele tem revelado políticas e propostas a um ritmo descrito no texto como vertiginoso: impôs tarifas abrangentes sobre importações de dezenas de países e enviou agentes federais mascarados a várias localidades para reprimir a imigração não autorizada. Em suas declarações públicas, o presidente frequentemente adotou um tom irritado — um exemplo citado é quando afirmou estar “absolutamente envergonhado” pela decisão da Suprema Corte de considerar ilegais muitas de suas tarifas. Após essa decisão, passou a restabelecer novas tarifas, alegando uma autoridade legal diferente para justificar a ação.
Atritos com instituições e críticas públicas
A reportagem enumera episódios que refletem o confronto de Trump com outras instituições e atores políticos: houve repreensões a parlamentares e juízes, episódios de tensão com militares relatados na imprensa e ataques a legisladores que pediram às Forças Armadas que recusassem ordens ilegais — aos quais Trump reagiu dizendo que seriam “traidores” e que poderiam enfrentar consequências severas. A Casa Branca, conforme a matéria, não respondeu a pedidos de comentário sobre a pesquisa.
A pesquisa Reuters/Ipsos, realizada online com 4.638 adultos e margem de erro de dois pontos percentuais, revela uma maioria substancial dos americanos preocupada com mudanças no comportamento de Trump atribuídas à idade, enquanto uma expressiva parcela do eleitorado — incluindo republicanos — já compartilha essa percepção.
