Ações da Telefônica Brasil (VIVT3) sobem após 4T25 e anúncio de recompra; analistas destacam distribuição aos acionistas

As ações da Telefônica Brasil (VIVT3) figuraram entre os principais destaques positivos do Ibovespa nesta segunda-feira (23) depois que a companhia reportou lucro e Ebitda do quarto trimestre de 2025 acima das expectativas e anunciou um novo programa de recompra. A reação do mercado refletiu, na avaliação de analistas, tanto o resultado operacional quanto sinais de distribuição de caixa ao acionista.

Resultados do 4T25: lucro, Ebitda e receita

A Telefônica Brasil registrou lucro líquido de R$ 1,88 bilhão no quarto trimestre de 2025, alta de 6,5% na comparação com o mesmo período de 2024. O Ebitda chegou a R$ 6,70 bilhões, avanço de 8,1% no ano. A receita líquida somou R$ 15,61 bilhões, crescimento de 7,1% ante o 4T24. Essas linhas vieram acima da média de estimativas compilada pela LSEG, que projetava lucro líquido de R$ 1,73 bilhão e Ebitda de R$ 6,35 bilhões.

Mercado: preço das Ações no pregão e desempenho recente

Por volta das 16h30 (horário de Brasília) do dia do balanço, as ações VIVT3 subiam 2,63%, sendo negociadas a R$ 41,77. O movimento do pregão incorporou o resultado reportado e sinais adicionais de retorno de caixa aos acionistas. Analistas do Itaú BBA, citados pelas casas, lembram que a alta acumulada das ações no ano já foi expressiva — 24% no ano — o que pode indicar que parte do bom desempenho já estava precificado pelo mercado.

O que impulsionou a receita e o Ebitda, segundo o BTG

O BTG Pactual avaliou que receita, Ebitda e lucro líquido vieram praticamente em linha com as expectativas da casa. Entre os drivers de receita, os analistas destacaram um crescimento mais forte da receita de serviços móveis (MSR), parcialmente compensado por um desempenho mais fraco em telefonia fixa. Para o BTG, essa dinâmica operacional, somada a uma combinação de margens e controle de investimentos, sustenta geração de fluxo de caixa operacional contínua.

Remuneração aos acionistas: recompras, redução de capital e projeções

Além dos números operacionais, a companhia anunciou um novo programa de recompra de ações com vigência até fevereiro de 2027 e teto de até R$ 1 bilhão. O movimento foi destacado pelos analistas do Santander, que apontam que o piso para a remuneração total aos acionistas deve ser elevado em 2026, considerando também uma redução de capital já anunciada de R$ 4 bilhões e a maximização dos juros sobre o capital. O Santander mantém classificação Outperform para VIVT3, com preço-alvo de R$ 42, e projeta uma remuneração total de aproximadamente R$ 9 bilhões para 2026, o que implicaria um rendimento de dividendos em torno de 7%.

Estimativas do BTG e implicações para Dividend Yield

O BTG lembrou que a Vivo distribuiu R$ 6,4 bilhões em remuneração aos acionistas em 2025 e trabalha com uma estimativa de distribuição de R$ 8,7 bilhões para 2026. Com base nesse montante, o banco calcula que a ação passaria a oferecer um dividend yield de 6,6% — número usado pelos analistas para avaliar a atratividade do papel diante do Valuation atual. Ao mesmo tempo, o BTG ressalta que, após o forte desempenho acumulado do ano, o valuation já avançou e os yields se comprimiram.

Visão do Itaú BBA: resultados neutros e foco em geração de caixa

O Itaú BBA classificou os resultados como neutros, descrevendo-os como sólidos e em grande parte alinhados com as estimativas da casa. Os analistas do BBA apontam que, olhando adiante, a atenção dos investidores deve se voltar para a capacidade da Vivo de gerar fluxo de caixa e para o potencial de aumento da distribuição total aos acionistas no ano. A casa mantém recomendação market perform (neutra) e cita um rendimento de dividendos esperado de aproximadamente 6,4% em 2026.

Como os anúncios afetam a avaliação da empresa

Os relatórios reunidos indicam uma leitura consistente: o resultado operacional reforça a trajetória de crescimento moderado de receita e expansão de margem Ebitda, enquanto os movimentos corporativos — redução de capital e recompra — elevam a previsibilidade de retorno de caixa para o acionista. Por outro lado, os analistas ressaltam que a já elevada valorização das ações reduz o espaço para ganhos adicionais de preço, ao passo que torna a geração de dividendos e o fluxo de caixa ainda mais centrais na avaliação do papel.

O balanço de 4T25 e o programa de recompra reforçaram a narrativa de distribuição de caixa na Telefônica Brasil, reforçada por projeções de pagamento mais elevado em 2026. Enquanto o BTG e o Santander enfatizam potencial de rendimento ao acionista — com estimativas de yield entre 6,6% e cerca de 7% — o Itaú BBA adota postura mais cautelosa, avaliando que parte do desempenho já está precificado e que o foco dos investidores deverá migrar para geração de caixa futura.

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