Vivo (VIVT3) sobe após resultado do 4T25; analistas elogiam operação, questionam geração de caixa

As Ações da Telefônica Brasil (VIVT3) subiram 3,12% por volta das 15h desta segunda-feira (23), a R$ 41,97, após a divulgação do resultado do quarto trimestre de 2025 (4T25). O mercado avaliou o balanço como construtivo, mas analistas apontam pontos de atenção em geração de caixa e efeitos não recorrentes.

Leitura imediata do mercado e recomendações divergentes

A reação do mercado — alta de 3,12% na sessão — reflete uma leitura majoritariamente positiva do desempenho operacional da Vivo, embora sem surpresas marcantes. O Safra classificou os resultados como positivos e sólidos, reafirmando recomendação de compra para VIVT3 e preço-alvo de R$ 42 para os próximos 12 meses (potencial de valorização de 3,19% sobre o fechamento anterior). Já o Citi definiu os números como mistos, manteve recomendação "neutra" com preço-alvo de R$ 34 e apontou que o fluxo de caixa livre aos acionistas ficou abaixo do esperado. O Itaú BBA considerou o desempenho consistente e alinhado com suas estimativas, mas observou que a alta acumulada de cerca de 24% das ações no ano indica que parte do resultado operacional já estava precificada.

Desempenho operacional: crescimento em receita, Ebitda e sinais de convergência

No 4T25, a receita líquida da Vivo cresceu 7% na comparação anual, impulsionada sobretudo pela venda de equipamentos. O Ebitda avançou 8% em relação ao 4T24, com expansão de 40 pontos-base na margem, que alcançou 42,9% segundo o relatório do Itaú BBA. O Safra reportou Ebitda de R$ 6,7 bilhões, igualmente com alta de 8%, sustentado tanto por crescimento de receita quanto por disciplina de custos.

A companhia também mostrou tração em ofertas convergentes: o pacote Vivo Total já representa cerca de 43% da base de banda larga, segundo o Citi, e cresceu 40,9% em 12 meses, conforme o Safra. No segmento pós-pago houve crescimento de receita de 9%, com adição de 930 mil clientes e aumento do ARPU (receita média por usuário). Na fibra ótica, a Vivo registrou adição líquida de 197 mil clientes no trimestre, desempenho considerado sólido, embora a receita média do segmento tenha caído 2% em 12 meses, evidenciando pressão competitiva.

Impacto de efeitos não recorrentes e ajuste nas métricas

O balanço incluiu efeitos pontuais que influenciaram o resultado reportado. A companhia contabilizou R$ 102 milhões provenientes da venda de ativos — abaixo dos R$ 116 milhões esperados pelos analistas — e registrou um impacto contábil positivo de R$ 129 milhões relacionado à FiBrasil, decorrente da reavaliação da aquisição. Desconsiderando esses itens, o Itaú BBA estima que o Ebitda teria crescido 14% na comparação anual. Ainda assim, a margem ajustada de Ebitda ficou em 40,1%, ou 80 pontos-base abaixo da estimativa do BBA, segundo o banco.

Aspectos financeiros: custos financeiros e tributação

Do lado financeiro, as despesas financeiras praticamente dobraram no trimestre, somando R$ 664 milhões, um ponto destacado pelo Safra. Parte desse impacto foi compensado por uma menor alíquota efetiva de imposto, que favoreceu o resultado líquido. Para o Itaú BBA, o principal foco daqui em diante será a capacidade de geração de fluxo de caixa da companhia e o potencial de aumento na remuneração aos acionistas — especialmente diante da valorização das ações ocorrida no ano.

Recompra de ações e implicações para acionistas

A Vivo anunciou um novo programa de recompra de ações de até R$ 1 bilhão, com vigência até fevereiro de 2027. Bancos que cobrem a empresa interpretaram a iniciativa como positiva: o Citi vê a recompra naturalmente favorável, enquanto o Safra considera que ela reforça o compromisso com retorno ao investidor. Para o Itaú BBA, a recompra reforça a necessidade de acompanhar geração de caixa para avaliar se a empresa pode aumentar a remuneração aos acionistas no futuro.

O 4T25 da Vivo trouxe sinais de avanço operacional, com crescimento de receita, expansão do Ebitda e ganho de tração nas ofertas convergentes e no B2B. Ao mesmo tempo, efeitos não recorrentes, compressão da margem ajustada em relação à estimativa do BBA e um fluxo de caixa aos acionistas aquém das expectativas do Citi mantêm pontos de atenção. Divergências entre recomendações e preços‑alvo (R$ 42 do Safra e R$ 34 do Citi) mostram que o mercado ainda debate até que ponto os ganhos recentes já estão precificados.

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