BRKM5: Citi recomenda venda; XP aponta CYRE3 como escolha preferencial entre construtoras

O banco Citi recomendou venda de Ações da Braskem (BRKM5), citando dívida elevada e cenário de spreads petroquímicos estagnados, enquanto casas como XP e JPMorgan destacam oportunidades em construtoras e na resiliência de seguradoras e farmacêuticas. As recomendações constam do episódio pós-Carnaval do Money Picks, que reúne análises das principais casas de análise.

Por que o Citi recomenda venda de Braskem (BRKM5)?

O Citi adotou uma postura rara ao recomendar venda para as ações da Braskem. Na avaliação do banco, a companhia enfrenta um cenário operacional e financeiro desafiador: dívida elevada, incertezas sobre a evolução dos spreads no setor petroquímico e ausência de sinais de melhora no curto e médio prazos. A decisão da Petrobras de abrir mão do direito de preferência no controle da Braskem foi apontada pelos analistas do Citi como um elemento que aumentou a pressão sobre as ações. Com esse pano de fundo, o banco projeta resultados fracos, continuidade da queima de caixa e riscos à estrutura de capital da empresa, ainda que reconheça que benefícios fiscais poderiam atenuar parte da pressão sobre os números.

Construtoras em destaque: por que XP vê valor em Cyrela (CYRE3) e Lavvi (LAVV3)?

A XP elevou a Cyrela à principal escolha entre as construtoras. A casa ressalta a operação diversificada da companhia, menor dependência de variáveis macroeconômicas sensíveis e um valuation que considera atrativo para investidores. A expectativa apontada pelos analistas é de forte crescimento de receitas até 2027, mesmo com a possibilidade de aumento de alavancagem no curto prazo para sustentar esse ritmo de expansão. No mesmo setor, a Lavvi ganhou destaque pela alta Rentabilidade e pela projeção de crescimento relevante em 2026. A análise também destaca o avanço da marca Novvo no segmento de baixa renda como fator que sustenta a visão positiva. A alteração de preço-alvo para a Lavvi — de R$ 17 para R$ 26 — reflete o otimismo da casa com o potencial de evolução da empresa.

IRB Brasil (IRBR3): resultado e a possibilidade de volta aos dividendos

O IRB reportou lucro líquido de R$ 143 milhões no quarto trimestre, alta de 27% em relação ao mesmo período do ano anterior. O JPMorgan avaliou o resultado como praticamente em linha com suas estimativas e manteve recomendação de compra para as ações da resseguradora. A casa também destacou a sinalização do IRB sobre a possível retomada do pagamento de dividendos, medida que ainda depende de aprovação. Apesar da queda nos prêmios emitidos, o entendimento do JPMorgan é de que a companhia estaria em trajetória de recuperação suficiente para considerar a volta à distribuição de proventos, condicionada às decisões corporativas e regulatórias subsequentes.

Bônus: Novo Nordisk (N1VO34) recomendada pela Empiricus

A Empiricus Research recomendou compra da Novo Nordisk, apesar de desafios recentes enfrentados pela farmacêutica, como a expectativa de queda nas vendas e o aumento da concorrência nos Estados Unidos. A empresa, dona de medicamentos amplamente conhecidos no mercado como Ozempic e Wegovy, passa por volatilidade no curto prazo; ainda assim, a casa destaca a estratégia consistente de foco em inovação, expansão e reinvestimento contínuo em pesquisa e desenvolvimento. Para a Empiricus, o valuation da companhia e o potencial de recuperação sustentam uma tese de 'rebote' para as ações, inclusive quando acessadas por investidores brasileiros por meio de BDRs (certificados de depósito de recibos).

Como as diferentes recomendações se alinham com riscos e oportunidades

As recomendações apresentadas no Money Picks mostram um conjunto de visões setoriais contrastantes: no setor petroquímico, cautela em função da alavancagem e das condições de mercado; no mercado imobiliário, apetite por empresas com operação diversificada, pipeline de crescimento e marcas que avançam em segmentos de menor renda; em resseguros, sinais de recuperação operacional com potencial retorno de dividendos; e em farmacêuticas, uma leitura de oportunidade tática devido à combinação entre valuation e recuperação prospectiva. Cada casa enfatiza, em graus diversos, trade-offs entre crescimento de receita e pressão sobre capital/fluxo de caixa no curto prazo.

O que isso significa na prática

As recomendações do episódio trazem indicações claras das casas de análise, úteis para quem monitora posição em papéis mencionados: o Citi recomenda venda de BRKM5, citando riscos financeiros e operacionais; a XP aponta CYRE3 como a escolha preferencial entre construtoras, com expectativa de crescimento de receitas até 2027; a mesma tese setorial inclui Lavvi com perspectiva de incremento de preço-alvo (de R$ 17 para R$ 26) e destaque para a marca Novvo; o JPMorgan mantém compra em IRBR3 após lucro trimestral de R$ 143 milhões e comenta a possível retomada de dividendos, sujeita a aprovação; e a Empiricus recomenda compra de Novo Nordisk via BDRs, apesar da concorrência e queda de vendas previstas nos EUA. Investidores devem considerar essas leituras como insumos de análise, observando o horizonte de curto e médio prazo e as condicionantes mencionadas por cada casa.

As recomendações do Money Picks pós-Carnaval refletem posições divergentes por setor: cautela sobre Braskem pela percepção de risco financeiro, preferência por construtoras com perfil de crescimento e marcas em expansão, e atenção a sinais de retorno de dividendos no IRB. A decisão final sobre movimentações em carteira permanece condicionada a aprovações societárias (no caso de dividendos) e à evolução dos fatores macro e setoriais citados pelos analistas.

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