O bitcoin operou em alta moderada nesta quinta-feira, 19, mas analistas alertam para risco de nova queda até US$ 55.000 diante de saídas relevantes em ETFs e de baixa liquidez no mercado à vista. A leitura dos fluxos institucionais passa a ser o principal vetor para os próximos movimentos de preço.
Movimento de preço e leitura de mercado
Por volta das 17h10 (horário de Brasília) desta quinta-feira, o bitcoin avançava 1,10%, cotado a US$ 66.982,39, segundo a plataforma Binance. O ethereum praticamente não se moveu no mesmo período, com leve queda de 0,03%, a US$ 1.939,02. Apesar da alta momentânea, vozes do mercado destacam que o atual patamar de preço não afasta o risco de novo ciclo de baixa, devido a sinais de enfraquecimento da demanda institucional e do volume de negociação à vista.
ETF: saídas em massa nas últimas sessões
Analistas apontam para o fluxo em ETFs como indicador central no curto prazo. Segundo o diretor de Pesquisa do Mercado Bitcoin, Rony Szuster, os ETFs de bitcoin registraram mais de US$ 230 bilhões em saídas nas duas últimas sessões, consolidando a quinta semana consecutiva com saldo negativo. Szuster observa que os ETFs de ethereum replicam o mesmo padrão de saídas. Para ele, esse movimento representa uma redução tática de exposição por parte de investidores institucionais diante da maior incerteza macro, e não necessariamente uma mudança estrutural na tese de investimento em criptoativos.
Liquidez à vista em patamar mais baixo desde 2023
O nível de liquidez no mercado spot de bitcoin tem chamado atenção: Nic Puckrin, CEO da Coin Bureau, afirma que o volume de negociação à vista de bitcoin está no nível mais baixo desde 2023. Esse indicador, na leitura de Puckrin, agrava o risco de quedas adicionais e aumenta a vulnerabilidade do preço a movimentos de capitulação. Ele alerta que o mercado ainda não teria atingido o fundo e aponta para a possibilidade de uma correção até US$ 55.000 se a condição de liquidez não melhorar.
Quais condições podem reverter a tendência?
Puckrin elenca três fatores que, na sua avaliação, poderiam interromper o movimento de fraqueza: queda nas taxas de juros, um dólar mais fraco ou entradas significativas em ETFs. Sem uma mudança clara em alguma dessas frentes, ele prevê 'capitulação ainda maior' e mais sofrimento para o preço do bitcoin. Essas hipóteses traduzem a dependência atual do mercado de criptoativos a fatores macro e à entrada ou saída de capital institucional por meio de produtos negociados em bolsa.
Sinais regulatórios divergentes
No plano regulatório, Szuster aponta para sinais contraditórios. Por um lado, a participação do CEO da Ripple Labs em um comitê da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) é interpretada como um indicativo de maior abertura ao diálogo institucional, o que pode favorecer integração regulatória e clareza para players do mercado. Por outro, o avanço do Market Clarity Act enfrenta resistência de grandes bancos, segundo Szuster, o que pode limitar mudanças rápidas no arcabouço regulatório que beneficiariam a liquidez e a confiança institucional. Esses elementos apontam para um ambiente regulatório com avanços pontuais, mas sem consenso abrangente.
O que os dados dizem sobre o comportamento dos investidores
O padrão observado — saídas líquidas concentradas em janelas curtas e semanas consecutivas de saldo negativo — sugere que investidores institucionais estão reduzindo exposição de forma tática em resposta a fatores macroeconômicos. Szuster diferencia esse movimento de uma alteração estrutural na tese sobre criptoativos, o que implica que a retirada de capital pode ser temporária se as condições macro e de liquidez mudarem. Ainda assim, a combinação de saídas de ETFs e baixa liquidez spot cria um contexto em que choques de demanda podem ter impacto amplificado nos preços.
O cenário imediato para o bitcoin permanece marcado por incerteza: preços com leve alta no intraday não afastam o risco de correção mais profunda até US$ 55.000, na avaliação de analistas, enquanto os fluxos de ETFs e a liquidez à vista seguem como variáveis determinantes. O acompanhamento das entradas e saídas em ETFs e dos sinais regulatórios deverá seguir como referência para avaliar se a atual fase de redução tática de exposição evolui para uma mudança mais duradoura no mercado.
